George Eastman, fundador da Kodak

Fotografia para todos

No princípio, existiam as trevas. Depois, veio a luz!!! Esta é uma definição clara  e fiel do que ocorre dentro de uma câmara escura, a mãe da fotografia. Esta câmara consistia em um espaço fechado estanque à luz, com um orifício de um lado e a parede à sua frente pintada de branco. Quando um objeto era posto diante do orifício, do lado de fora do compartimento, sua imagem era projetada invertida sobre a parede branca.

Processo semelhante ocorre dentro do globo ocular humano. Nosso olho funciona como uma câmera fotográfica: ambos “equipamentos” possuem uma abertura por onde entra a luz, uma lente (cristalino) e um anteparo (retina) local em que a imagem é recebida e registrada na forma invertida.

pintura olho_humano

No século XIV já se aconselhava o uso da câmara escura como auxílio ao desenho e à pintura, mas gravar essa imagem diretamente sobre o papel sem intermédio do artista era a nova meta, só alcançada mais tarde com o auxílio da química.

Foi apenas a partir de 1850 que a fotografia tornou-se um pouco mais acessível com a utilização de colódio no processo fotográfico, substância que tornava as placas fotográficas mais sensíveis à luz. Nesta época, o número de fotógrafos aumentou. Pessoas de todas as classes sociais queriam retratar o cotidiano suas famílias. Mas logo surgiram concorrentes ao processo com colódio, como o ambrótipo e o ferrótipo.

O ferrótipo desfrutou de grande popularidade entre os fotógrafos nos EUA a partir de 1860, quando começaram a aparecer os especialistas, fazendo fotos de crianças em praças públicas, famílias em piqueniques e recém casados em porta de igrejas.

Em 1871, surgiu a grande inovação do processo fotográfico: a utilização de gelatina e brometo de prata, substituindo o colódio. A placa seca de gelatina estabelecia a era moderna do material fotográfico. Fabricado comercialmente, liberava o fotógrafo da necessidade de preparar as suas placas e rapidamente várias firmas passaram a fabricar placas de gelatina seca em quantidades industriais.

George Eastman, o fundador da Kodak, foi o visionário da fotografia no final do século XIX. Como funcionário de banco, tirou férias e levou consigo um equipamento fotográfico para registrar a viagem, em 1878. O apetrecho consistia em uma câmera com tripé, uma tenda e a câmara escura  para poder aplicar emulsão nas placas de vidro antes da exposição. Esta tenda também servia para a revelação da placa emulsionada. Além disso, era preciso levar as soluções químicas, os tanques de vidro, um pesado suporte para as placas e uma jarra para a água. Após a viagem, Eastman decidiu simplificar o processo fotográfico para seu uso pessoal, mas logo considerou o aspecto comercial da ideia.

De início, pensou em fabricar placas secas para vender. Para tanto, estudava o que podia sobre o assunto, mesmo trabalhando no banco durante o dia. À noite, realizava experiências na cozinha de sua mãe, exaustivamente. Em 1880, Eastman, alugou um andar em um prédio na cidade de Rochester  e começou a vender as placas secas. Após alguns percalços, dedicou-se mais ainda em  tornar o processo fotográfico mais simples, tentando trocar as placas de vidro por papel.

Em 1885, Eastman anunciou que estava introduzindo uma nova película sensível que seria um substituto econômico e conveniente para as placas de vidro, tanto para tomadas internas quanto externas. Apesar do sistema de porta-rolos ser adequado e ter um êxito inicial, o papel não era inteiramente satisfatório como suporte da emulsão porque a granulação do papel se reproduzia na cópia. Então decidiu cobrir o papel com uma camada de gelatina comum solúvel e em seguida com outra insolúvel, sensível à luz. Depois de exposta e revelada, a gelatina com a imagem se soltava do papel, se transferia a uma folha de gelatina clara e se envernizava com  colódio.

Mesmo assim, o mercado ainda carecia de um equipamento fotográfico que fosse acessível a qualquer pessoa. Eastman então decidiu fabricar um novo tipo de câmera. Em 1888,  a primeira câmara Kodak foi lançada. Do tipo “caixão”, leve e pequena, carregada com um rolo de papel para 100 exposições. Com um preço de 25 dólares, vinha com estojo e correia. Uma vez feita a exposição, se enviava a câmera  a Rochester, onde o rolo exposto era retirado, processado, feitas as cópias e colocado um novo rolo, tudo por 10 dólares. Isto foi uma mudança radical na política da empresa.

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Marketing e foco no usuário

Como campanha de marketing, a Kodak lançou o slogan “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”. Desta maneira, a empresa cria um mercado completamente novo, onde qualquer pessoa pode se tornar um fotógrafo, mesmo sem nenhum conhecimento do processo. Era preciso apenas “apertar o botão” e a companhia do Sr. Eastman “fazia o resto”. A partir de 1888, surge uma novo tipo de consumidor, aquele que busca a facilidade e a praticidade.  Não era mais necessário contratar um fotógrafo.

Em 1889 a Kodak lança os primeiros rolos de película transparente, sem grandes granulações e podiam servir de base permanente para a imagem negativa, evitando-se a descolagem. Esta película transparente e flexível de Eastman, junto com o aparelho desenhado simultaneamente por Thomas Edison, asseguraram o êxito da cinematografia.

Dois anos depois, essas películas transparentes ficaram mais acessíves para amadores quando foram acopladas em carretéis que podiam ser colocados na câmera em plena luz do dia. Assim, a câmera não precisava mais ser enviada a Rochester para o recarregamento e os rolos de filme podiam ser comprados praticamente em qualquer lugar.

O desenvolvimento da fotografia com rolos de película criou uma situação inovadora. Antes das câmeras Kodak o fotógrafo devia ter certa habilidade manual, para processar seus próprios negativos e fazer as impressões e para tanto era necessário conhecer certos aspectos técnicos do processo fotográfico.

Os novos fotógrafos amadores usavam câmaras simples, com filmes em rolo, sem a preocupação da técnica fotográfica ou com o mecanismo dos equipamentos. A fabricação de filme começou a operar em escala industrial e o foto-acabamento era feito por milhares de pequenos laboratórios que revelavam o filme e faziam as cópias para os fotógrafos.

Os consumidores só tinham que fotografar. Simples assim: “Você aperta o botão, nós fazemos o resto”.

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